Por: Samy Santos
Voltamos a escrever após um mês de férias. Nesse período, paramos para descansar, curtir a família e fazer coisas lúdicas, atividades estas que fazem renovar as forças e vislumbrar novos horizontes. A busca pela informação também esteve presente nas férias, e sem dúvida alguma assuntos chamaram a atenção, a exemplo do crescimento do turismo na Bahia.
O publicitário baiano, Nizan Guanaes, que durante dois anos consecutivos foi o responsável pela venda das cotas de publicidade do carnaval de Salvador, recentemente causou polêmica com suas declarações no site de relacionamentos “twitter”. Guanaes afirmou: “Salvador não tem praia pro turista, não tem hotel e a orla é um favelão”.
Para aumentar ainda mais a polêmica, o publicitário disparou a sua metralhadora para o cantor Bell, da banda Chiclete com Banana. “Esta indústria do Axé, personificada em Bell do Chiclete, só destrói a Bahia. Ele não é um artista, é um crooner careca. Tudo nele é mentira”. Nizan ainda emendou: “Bell é o não artista. Você já reparou que a mídia não cobre ele. Quando ele lança um CD não tem nem crítica. Um sujeito que lança um vinho tinto.”,
Quanto à primeira crítica do publicitário baiano, é preciso refletir. Apesar de o aumento significativo do turismo na Bahia, o estado não é o “éden” que muitos querem acreditar. A Bahia possui praias sujas, poluídas, cidades violentas, hotéis sem infraestrutura, desmatamento, prostituição, miséria, dentre outros problemas. É claro que há, sem dúvida, aspectos positivos, mas estes não podem ser utilizados para sobrepujar problemas e referendar o atraso. Assim, concordamos, em parte, com as críticas de Nizan.
A propósito das críticas feitas a Bel, Guanaes foi, no mínimo, mal educado. Não se pode tecer comentários tão depreciativos a um cidadão baiano que construiu uma carreira sólida ao longo de quase 30 anos. Discutir cultura é algo complicado, em razão disso é incoerente afirmar que uma cultura é superior a outra. Nizan pode não querer ser “chicleteiro”, mas é preciso respeitar as diversas manifestações culturais e a apreciação da maioria do povo baiano pelo Axé.
Mesmo sendo infeliz ao se referir a Bel, é preciso analisar com cuidado as considerações de Nizan sobre Salvador e, num debate mais amplo, sobre a Bahia. É preciso desmiticar a crença de Bahia enquanto paraíso tropical, “terra da felicidade”, “da alegria”, da prosperidade”. Já é hora de deixar o discurso ufanista em segundo plano. O estado precisa de se desenvolver em várias frentes, e não apenas no turismo.






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