Por Samy Santos

Há limites?


Por: Samy Santos

A estupidez de alguns fatos ocorridos no Brasil vem levantando questionamentos acerca do comportamento deplorável de algumas pessoas da sociedade. Muitos questionam se há limites para o crime, a insensatez, a intolerância e, consequentemente, para a banalização de valores. Os recentes crimes ocorridos no Brasil deixam estarrecidos até as pessoas acostumadas no trabalho de coibir a violência.
A população brasileira assiste assombrada ao caso do menino de 02 anos que está com quase 50 agulhas no corpo. As agulhas foram introduzidas na criança pelo seu padrasto, tudo isso com a ajuda de duas “colaboradoras”. Ainda de acordo com o padrasto, o procedimento foi realizado em ritual de “magia negra”, termo rechaçado hoje devido ao viés preconceituoso.
Há pouco mais de um ano os brasileiros também ficaram estarrecidos com a morte da menina Isabella Nardoni. Ela foi jogada do 6º andar de um prédio situado num bairro nobre da grande São Paulo. Apenas o crime já é capaz de chocar a sociedade, mas neste caso, particularmente, há uma agravante, visto que o crime foi cometido pelo pai da menina e também pela madrasta.
Em 2007, o assassinato do menino João Hélio também comoveu o país. A criança foi arrastada por mais de 7 km por algumas avenidas do Rio de Janeiro. No assalto, a criança ficou presa ao cinto de segurança, e os marginais, mesmo alertados pela mãe de João Hélio e por populares, não tiveram piedade do menino.
Este ano uma criança de 9 anos foi estuprada pelo seu padrasto. Para agravar ainda mais a situação, a criança engravidou de gêmeos. Paralelamente, a este fato, o arcebispo dom José Cardoso Sobrinho, após tomar conhecimento que a menina faria um aborto, disse que perdoava o estuprador e excomungava os médicos e a mãe da criança pelo ato, mesmo sabendo que a gravidez punha em risco a vida da criança. Parece ficção, mas é mais um péssimo exemplo de intolerância.
São tantos os exemplos de violência no Brasil, que é impossível relatá-los num texto. Muitos leitores ao fazerem esta leitura fazem, certamente, uma reflexão e vão se lembrar de algum crime brutal que apenas entrou para a triste estática do crime no país.
É notório que os crimes relatados nessa discussão são muitos graves, como também outros que ocorrem no país, no entanto é pertinente observar que há pelo menos um fato a ser comemorado (se é que se pode usar esse termo): a população brasileira ainda é capaz de se sensibilizar com a dor do outro. Como se nota, nem tudo está perdido. Aliado à punição rigorosa de crimes e investimentos em educação, a indignação da sociedade com atos absurdos pode ser um importante instrumento para coibir a violência e a estupidez.

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