Por Samy Santos

Referendando a corrupção


Por: Samy Santos

A população assiste atônita às acusações que pesam sobre José Roberto Arruda, governador do Distrito Federal. Arruda é acusado, entre outras coisas, de receber propina de empresas fornecedoras do governo. O esquema organizado pelo governador vem sendo chamado de o novo mensalão.
Arruda nega de forma veemente a participação no esquema, como já fizera em 2001 quando foi acusado de violar o painel do senado. Na época, fez um discurso emocionado, no qual ressaltava que sempre teve uma vida alicerçada na ética, moral e valores. Pressionado pelas evidências, voltou atrás e assumiu a participação no escândalo. Para não ser cassado, renunciou ao mandato.
Após esse episódio, elegeu-se deputado federal em 2002. Alguns anos depois, em 2006, foi eleito para o Governo do Distrito Federal. O mais sensato seria que Arruda fosse rechaçado nas urnas, mas, como se nota, voltou consagrado nos “braços do povo”. Parte da população referenda a corrupção tanto em atitudes cotidianas como nas urnas.
Em 2001, no mesmo caso de violação do painel do senado, ACM renunciou ao mandato de senador para também escapar da cassação. Dias depois, durante o período de São João, estavam espalhados cartazes pelas ruas de Jequié com os dizeres: “ACM, a Bahia vai corrigir esta injustiça”. A pergunta é: qual injustiça? É no mínimo incoerente como algumas pessoas referendam as práticas de corrupção. Vale salientar que ACM também foi reeleito para o senado com votação expressiva.
Há pouco mais de 5 anos Ibirapitanga elegia novamente Eraldo Assunção como prefeito da cidade. O que poucos lembram é que Assunção foi cassado no primeiro mandato por irregularidades. Parte da população de Ibirapitanga resolveu dar uma nova “chance” a ele, e o resultado disso foi uma administração desastrosa.
As situações apresentadas nessa discussão são apenas algumas das milhares que acontecem no Brasil. Muitos dos casos de corrupção poderiam ser evitados se a população adotasse critérios sólidos para eleger seus representantes. Não se pode dar uma nova oportunidade a corrupção e a falta de idoneidade. As recentes denúncias contra Arruda devem servir para promover um repensar não apenas acerca dos prejuízos causados pelas práticas de corrupção, mas pela “consagração” que muitos políticos vêm tendo nas urnas mesmo com um histórico de irregularidades político-administrativas. Votar em corrupto é referendar a corrupção.

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