Articulista: Samy Santos
Uma das grandes polêmicas da atualidade é a discussão que versa sobre a presença de homossexuais nas Forças Armadas. Apesar de algumas autoridades assegurarem que não há problemas de preconceito e tampouco perseguição contra os gays, é notável que estes têm no meio militar o seu ambiente mais inóspito.
Em outubro passado, o Fantástico apresentou a história do casal gay Fernando e Lascir, oficiais de carreira do exército que foram acusados de deserção, cujo crime consiste em se ausentar, sem justificativa, por mais de 8 dias de suas atividades.
Segundo Fernando e Lascir, a acusação de crime de deserção ocorreu em razão de eles terem assumido publicamente que são homossexuais. Como não há no código militar um artigo claro sobre a presença de gays nas Forças Armadas, uma vez que este faz referência apenas ao crime de pederastia e atos libidinosos dentro do ambiente militar, eles passaram a ser perseguidos e ridicularizados por colegas e oficiais.
De acordo com os especialistas, a história de Fernando e Lascir ilustra o que ocorre nas Forças Armadas no que tange à presença de homossexuais. Como a instituição não tem como punir os militares por sua orientação sexual fora do ambiente militar, oficiais de alto escalão sempre acham outros expedientes, como transferências, punições administrativas, barba por fazer, etc para castigar os “desertores”.
Sem cerimônia, alguns membros das forças armadas asseguram que os homossexuais não são capazes de liderar, de atuar em grandes missões e também não são respeitados pela corporação. Trocando em miúdos, não podem e tampouco devem estar no serviço militar. O curioso é que militares homossexuais só deixam de ter liderança, de ter competência para atuar em grandes missões e de serem respeitados depois que assumem o homossexualismo publicamente.
Como se nota, os argumentos apresentados para a não presença de homossexuais nas forças armadas são totalmente inconsistentes, tais argumentos decorrem, sem dúvida, de uma postura excludente e preconceituosa. Com tal atitude os militares querem, apenas, afastar os homossexuais da corporação, fazer com que muitos dos seus servidores guardem as suas orientações/predileções sexuais “no armário”, bem como fazer com que “malfeitores” não ”manchem” a imagem das Forças Armadas.
O debate sobre o homossexualismo nas Forças Armadas já começou nos Estados Unidos e Europa, o que certamente ocorrerá com maior ênfase também no Brasil. Temas complexos e polêmicos têm de ser discutidos não só pelas autoridades, mas pela comunidade de maneira geral. Alguns países europeus já sinalizam uma quebra de preconceito, haja visa que permitem abertamente a presença de homossexuais nos órgãos militares.
A sociedade brasileira caminha a passos largos para o “sufocamento” do preconceito, assim a presença de homossexuais declarados nas Forças Armadas será apenas mais um tabu a ser quebrado. Percebe-se que posturas discriminatórias serão, sem dúvida, cada vez menos toleradas. Dessa forma, já é possível vislumbrar, num futuro próximo, uma situação melhor para os homossexuais em todos os contextos sociais.
PS. De olho no vestibular, este assunto pode ser tema de redação.




































